A Ponte 25 de Abril celebra hoje 60 anos, mantendo-se como uma das mais emblemáticas obras de engenharia do país e a travessia rodoviária e ferroviária mais utilizada na região de Lisboa. Inaugurada a 6 de agosto de 1966, a infraestrutura foi a primeira a ligar as duas margens do Tejo na capital, após uma construção de menos de quatro anos, iniciada em 1962, durante o Estado Novo. O investimento total ascendeu a 2,183 milhões de contos, cerca de 11 milhões de euros.
Inicialmente designada Ponte Salazar, a obra mobilizou diariamente cerca de 3.000 trabalhadores e envolveu 14 empresas de construção civil, 11 das quais portuguesas. A ponte, construída pela norte‑americana American Bridge Company, apresenta semelhanças com a Golden Gate, em São Francisco, devido à tipologia suspensa por cabos de aço e às torres metálicas de cor alaranjada. Distingue-se, contudo, por ter sido concebida desde a origem para acolher tráfego rodoviário e ferroviário, embora o tabuleiro ferroviário só tenha entrado em funcionamento três décadas depois.
Com um vão central de 1.013 metros — o maior da Europa entre pontes suspensas rodoferroviárias — e torres que atingem 196 metros acima do nível da água, a ponte continua a destacar-se internacionalmente. O pilar sul desce cerca de 80 metros abaixo do leito do rio.
O tráfego rodoviário cresceu de forma contínua ao longo das últimas seis décadas, impulsionado pela expansão urbana da margem sul, sobretudo nos concelhos de Almada, Seixal e Barreiro. O ano de 2005 permanece como o de maior movimento, com mais de 57 milhões de veículos. A pandemia de covid‑19 interrompeu temporariamente esta tendência, reduzindo a circulação em 2020 e 2021, segundo dados do INE.
Apesar da inauguração da Ponte Vasco da Gama, em 1998, a Ponte 25 de Abril continua a concentrar mais do dobro do tráfego rodoviário. Atualmente, segundo a Infraestruturas de Portugal, cerca de 150 mil veículos e 174 comboios atravessam diariamente a ponte, totalizando mais de 100 milhões de utilizações anuais. Estima-se que cerca de 300 mil pessoas utilizem diariamente a infraestrutura.
A travessia está sujeita a portagem desde 1966. A tarifa inicial para veículos ligeiros era de 10 escudos, valor que evoluiu até aos atuais 2,25 euros. A cobrança apenas no sentido sul‑norte foi introduzida em 1994, após os protestos do “buzinão”, e consolidada com a concessão atribuída à Lusoponte em 1996.