Os resultados do PISA 2025 não surpreendem. São o reflexo de um sistema educativo que há demasiado tempo se vem degradando. A escola pública tem sido sujeita a sucessivas reformas que, sob o pretexto da modernização, acabaram muitas vezes por fragilizar aquilo que deveria ser reforçado.
A pandemia apenas acelerou problemas que já conhecíamos. Os dados agora divulgados revelam, porém, algo mais profundo: Portugal registou os piores resultados de sempre em Leitura entre os jovens de 15 anos, acompanhados de novas quedas em Matemática e Ciências. Não é apenas uma questão estatística. É o retrocesso de anos de investimento, esforço e políticas educativas. Quando um país regressa ao ponto de partida, a questão deixa de ser conjuntural e passa a ser estrutural.
Mas há outra dimensão que merece reflexão: o impacto do uso intensivo da tecnologia na aprendizagem. Num mundo em que as respostas estão à distância de um clique e em que a inteligência artificial consegue produzir textos, resolver problemas e sintetizar informação, existe o risco de se confundir facilidade com aprendizagem. Aceitar uma resposta automática sem verificar fontes, questionar argumentos ou compreender o raciocínio pode permitir cumprir uma tarefa, mas não significa necessariamente aprender.
É aqui que a escola tem um novo desafio: ensinar a utilizar a tecnologia e a inteligência artificial de forma crítica, consciente e responsável. A tecnologia deve ser um instrumento de apoio à aprendizagem, não um substituto do esforço intelectual. Os alunos precisam de continuar a construir os seus próprios raciocínios, a formular perguntas, a duvidar, a comparar e a procurar respostas.
Também o papel do professor se transforma. Mais do que transmitir informação, cabe-lhe fomentar a curiosidade, promover o pensamento crítico e orientar os estudantes para um uso ético e responsável da tecnologia.
O desafio central da educação não é travar o uso da inteligência artificial, mas assegurar que esse avanço não retira a capacidade dos alunos aprenderem, interpretarem e pensarem autonomamente.