NARRATIVA DIÁRIA

Até sempre, Luís Represas

Portugal despede-se hoje de Luís Represas, uma das vozes mais marcantes da música portuguesa das últimas cinco décadas. Com o desaparecimento de Represas, desaparece também algumas das grandes referências musicais — presença que marcou a nossa juventude e que se entranhou de forma indelével nas nossas memórias como parte essencial da banda sonora das nossas vidas.

Represas destacou-se primeiro como membro fundador do Trovante, grupo fundado no verão de 1976, na vila de Sagres, juntamente com João Gil, João Nuno Represas, Manuel Faria e Artur Costa, a que mais tarde se juntaram Fernando Júdice, José Martins e José Salgueiro e que marcou profundamente a música portuguesa do pós25 de Abril. Canções como Perdidamente, 125 Azul, Hora de Tempo, Neva sobre a Marginal, Memórias de um Beijo ou Timor tornaram-se clássicos incontornáveis ao longo das décadas.

Em 1993, após separação do grupo Trovante, inicia a sua carreira a solo e lança o álbum Represas. Entre os temas mais relevantes está Feiticeira, gravada em Cuba com Pablo Milanés, colaboração que reforçou a ligação do músico aos ritmos latinoamericanos e à cultura cubana que havia de continuar por longos anos.

Aliás, ao longo da sua carreira, o seu repertório destacou-se pela colaboração com inúmeros músicos provenientes dos PALOP, Cuba, África e Brasil — quer em Portugal como nos seus países de origem — fazendo desta dimensão artística uma das suas marcas fundamentais.

Em Maio de 1999, a convite do Presidente da República Jorge Sampaio, luís Represas reúne-se com o Trovante para um espetáculo memorável no Pavilhão Atlântico, em Lisboa que deu origem a um duplo cd. Também em 1999, Represas aceita o convite para ser a voz, na versão portuguesa, dos temas originais de Phil Collins, para a banda sonora do filme de animação Tarzan, da Disney. Seguiu-se depois a gravação do tema do Rei Leão 2, de Elton John.

No ano de 2010 estreou-se na literatura infantil com A Coragem de Tição e preparava este ano a celebração dos cinquenta anos de carreira, com concertos agendados para 2027 nos Coliseus de Lisboa e Porto.

Hoje não desaparece apenas um músico extraordinário. Desaparece uma das vozes que melhor soube expressar a identidade, a sensibilidade e os afetos de várias gerações. Guardaremos para sempre a sua música, porque a verdadeira arte nunca desaparece — permanece viva na memória, no coração e nas emoções de quem a escuta.

Obrigado, Luís Represas, por tantos momentos de alegria, beleza e emoção.

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