Portugal Continental encontra‑se sob uma intensa onda de calor, marcada pela persistência de temperaturas excecionalmente elevadas que deverão prolongar‑se por vários dias. Em consequência, o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) tem emitido avisos meteorológicos para vários distritos, atendendo ao risco acrescido de temperaturas extremas.
Em diversas regiões, sobretudo no interior, os termómetros ultrapassaram os 40 °C, enquanto as noites tropicais — com temperaturas mínimas acima dos 20 °C, podendo atingir 25 °C ou mesmo 28 °C — impedem o arrefecimento noturno. Esta ausência de recuperação térmica acentua o “stress térmico” que ocorre quando o corpo humano não consegue regular a sua temperatura interna (cerca de 36,5°C) face ao calor extremo.
Este fenómeno resulta da influência de uma massa de ar muito quente e seco proveniente do Norte de África, associada a condições atmosféricas estáveis que favorecem a acumulação de calor.
A onda de calor tem impactos significativos na saúde pública, aumentando o risco de desidratação, insolação e agravamento de doenças cardiovasculares e respiratórias, sobretudo entre idosos, crianças, grávidas e pessoas com doenças crónicas, podendo, em casos extremos, ser mesmo fatal.
Face a esta situação, as autoridades recomendam evitar a exposição direta ao sol nas horas de maior calor, assegurar uma hidratação adequada, utilizar vestuário leve e permanecer, sempre que possível, em ambientes frescos. É igualmente aconselhada a adaptação dos horários de trabalho, especialmente para trabalhadores expostos a radiação solar intensa, bem como uma atenção reforçada às pessoas em situação de maior vulnerabilidade.
Paralelamente, o calor intenso favorece o risco de incêndios rurais, tornando imprescindível a adoção de medidas de prevenção e vigilância. Evitar incêndios rurais exige o cumprimento rigoroso de medidas preventivas. Os principais comportamentos de risco incluem fazer queimadas em dias de vento ou calor, acender fogueiras junto das florestas, amontoar mato e outros detritos cortados junto a habitações ou vedações, atirar beatas e lixo para o chão, utilizar maquinaria que produza faíscas perto de matas e ainda a utilização de fogo de artifício e de outros artefactos pirotécnicos.
Os especialistas alertam ainda que a frequência e a intensidade das ondas de calor têm aumentado nas últimas décadas, constituindo um dos efeitos associados às alterações climáticas. Assim, a adaptação a fenómenos meteorológicos extremos e a implementação de medidas de mitigação são essenciais para proteger a saúde das populações e salvaguardar o ambiente.