NARRATIVA DIÁRIA

Viva lá España!

E assim chegamos ao fim deste longo Mundial.

Na final encontraram-se duas equipas que disputavam muito mais do que um troféu. De um lado, a Espanha, a seleção mais consistente, equilibrada e organizada da competição. Do outro, a Argentina, campeã do mundo em 2022, conduzida por Lionel Messi, que voltou a assumir o papel de líder, carregando a equipa nos momentos mais difíceis e encontrando sempre soluções quando os argentinos se viram em desvantagem. O destino acabou por colocar frente a frente a melhor equipa do Mundial e o melhor jogador do torneio.

A final foi intensamente disputada, mas, desde o apito inicial, a Espanha assumiu o controlo absoluto da partida. Através da posse de bola, da pressão alta e da capacidade para instalar o jogo no meio-campo adversário, a equipa de Luis de la Fuente dominou por completo o encontro. A Argentina nunca encontrou soluções para ultrapassar a pressão espanhola e passou grande parte do tempo remetida ao seu último terço. Um dado ilustra bem esse domínio: durante os 90 minutos regulamentares, os argentinos não conseguiram efetuar um único remate. A Espanha circulava a bola com paciência, recuperava-a rapidamente sempre que a perdia e anulava todas as tentativas de transição da formação sul-americana.

Grande parte dessa superioridade assentou na forma exemplar como os espanhóis conseguiram neutralizar Lionel Messi, reduzindo-lhe os espaços entre linhas e impedindo-o de ligar setores, construir jogo e criar situações de superioridade numérica. Sempre que o capitão argentino recuava para participar na construção, encontrava pressão imediata e poucas linhas de passe. A Argentina parecia perdida em campo, recorrendo frequentemente à falta, por vezes com entradas bastante duras, perante a excessiva permissividade da equipa de arbitragem.

Só no prolongamento a Argentina conseguiu, finalmente, aproximar-se da baliza espanhola e criar algumas oportunidades de golo, todas elas travadas por uma defesa espanhola seguríssima.

O golo de Ferran Torres, aos 106 minutos, acabou por fazer justiça ao que se passara durante toda a partida. Chegou tarde, mas premiou uma exibição em que a Espanha foi claramente superior do primeiro ao último minuto.

A conquista do título foi inteiramente merecida. Ao longo de todo o Mundial, a Espanha apresentou o futebol mais consistente e de maior qualidade, distinguindo-se pela excelente organização tática, pela qualidade da circulação de bola e pela capacidade de controlar os ritmos dos jogos. Desde a fase de grupos, a seleção demonstrou confiança, determinação e personalidade, somando vitórias convincentes que lhe permitiram chegar à fase a eliminar com estatuto de principal candidata ao título.

Nos jogos a eliminar, os espanhóis enfrentaram adversários de elevado nível, mas superaram todos os desafios graças à força do coletivo, à disciplina defensiva e à criatividade do seu setor intermédio e ofensivo. O meio-campo assumiu um papel determinante na construção do jogo e no controlo da posse, enquanto a defesa revelou uma solidez notável, sofrendo apenas um golo em toda a competição. Sempre que foi chamado a intervir, Unai Simón respondeu com defesas decisivas, confirmando a segurança de uma equipa que terminou o torneio como a mais forte e a mais completa.

A Espanha foi, sem qualquer contestação, uma justa campeã do mundo. 

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