Manoel de Oliveira morreu a 02 de abril, no Porto, aos 106 anos. O realizador tinha confiado à Cinemateca Portuguesa, uma cópia do documentário biográfico inédito «Visita ou memórias e confissões», rodado em 1982, deixando explícito de que o filme só deveria ter exibição pública a título póstumo.
O filme autobiográfico do realizador estreia-se hoje no Porto e vai ser exibido a 5 de Maio na Cinemateca Portuguesa, em Lisboa, e no final do mês estreará no festival de Cannes, em França.
«O cinema é a minha paixão e sempre tudo sacrifiquei à possibilidade de poder fazer os meus filmes», afirmou o realizador nos primeiros minutos deste filme, que rodou em 1981, na casa onde viveu, no Porto, durante mais de quarenta anos. Aquela casa é o cenário e o mote para o documentário, que conta com diálogos proferidos pelos atores Diogo Dória e Teresa Madruga e escritos por Agustina Bessa-Luís.
Durante pouco mais de uma hora, Oliveira fala sobre os seus antepassados, aborda a relação com a morte e com o sofrimento, explica o fascínio pelas mulheres e recorda os dias que passou na prisão depois de ter sido detido e interrogado pela PIDE, nos anos 1960.