NARRATIVA DIÁRIA

Somos todos Charlie Hebdo? Nem todos…

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A solidariedade para com a barbárie que se abateu com o Charlie Hebdo em defesa da liberdade de expressão e de informação foi e continua a ser uma manifestação surpreendente em todo o mundo.


Porém, nada como um acontecimento destas dimensões para evidenciar alguns estados de alma perturbadores. Começa a ser patética a forma maniqueísta e desinformada como alguns iluminados falam sobre este assunto, por se acharem mais imparciais do que outros, ou mais contestatários, whatever, reclamam o direito de se intitularem os herdeiros legítimos do jornal Charlie Hebdo, caindo na tentação de desculpabilizar os bárbaros e culpar as vítimas, de que um tal Gustavo Santos foi o expoente máximo, apesar do esforço inaudito de Ana Gomes para se destacar também nessa competição.


Estes indivíduos não entendem que a identificação humana com as vítimas, a reafirmação civilizacional das liberdades, a repugnância radical da barbárie não têm donos nem carece de autorização. A este respeito vale a pena ler MEC.


Dir-me-ão: «manifestar opiniões dissonantes é um direito consagrado na liberdade de expressão». Nada mais acertado, mas, atenção, criticar o que alguém escreveu não é cortar-lhe a liberdade, é ter a liberdade para lhe dizer: «o que escreveu é um tremendo disparate».


Apesar de tudo, estimo que todos possam, uns com as suas «boas» intenções, outros com a seu fanatismo arrogante, ter sempre a liberdade de exprimir o que pensam.

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