Ao que tudo indica, o acidente do Alpes franceses terá sido uma ação intencional do copiloto. De acordo com as investigações levadas a cabo, o alemão Andreas Lubitz, de 28 anos, impediu a entrada do piloto no cockpit provocando deliberadamente a queda, decidindo dar um fim à própria vida e não hesitando levar consigo outras 149 pessoas.
O piloto terá saído por momentos, mas já não teve oportunidade de entrar no cockpit e retomar os comandos do avião. Lubitz ter-se-á trancado a bordo, dando início à descida que culminaria numa tragédia nos Alpes.
A queda do A320 da Germanwings nos Alpes franceses voltou a colocar a questão da segurança nas deslocações aéreas. Para lá deste acidente, os dados das várias organizações internacionais no sector da aviação mostram que o transporte aéreo continua a ser uma das opções mais seguras em termos técnicos.
Mas é óbvio que andar de avião é um risco como muitos outros que corremos. É uma escolha que fazemos como tantas outras, sem que nunca possamos prever os incidentes de cada viagem. Mas afinal a vida é feita de opções que tomamos todos os dias!
Sobre o acidente do avião nos Alpes a conclusão que retiro é o que aconteceu foi uma tragédia, sem dúvida, que nos tocou a todos. Ainda mais, porque é uma ironia o facto de isto acontecer com uma empresa alemã, que coloca em causa um rigor germânico que, nós portugueses, conhecemos como ninguém e que está bem patente na austeridade e na falta de esperança com que vivemos nos últimos quatro anos.
Mas viver com medo de tudo à nossa volta é o pior que nos pode acontecer. Quando saímos à rua podem-nos suceder mil e uma coisas. Sem que nada o preveja pode cair-nos um raio, um carro descomandado pode chocar contra nós ou ainda uma queda de uma árvore pode ser fatal…
A maior parte da nossa vida depende de outros, a nossa segurança, a nossa saúde, a nossa amizade, whatever! Por isso, acredito que quando perdemos confiança em tudo, inclusive nas pessoas, estamos à beira do abismo.
Uma loucura ou um erro, não nos pode retirar a capacidade de acreditarmos nos outros.