António Capucho foi uma figura incontornável do PSD e da política portuguesa. Há 40 anos, juntamente com Francisco Sá Carneiro e outros militantes ajudou a fundar o então PPD. Desempenhou inúmeros cargos políticos - foi Secretário-Geral Adjunto, Secretário-Geral, Vice-Presidente, Deputado, Presidente do Grupo Parlamentar, Secretário de Estado, Ministro, Coordenador do Grupo Europeu do PSD, Vice-Presidente do Parlamento Europeu, Presidente de Câmara e Conselheiro de Estado.
Foi agora ratificada a sua expulsão do PSD, por deliberação do Conselho de Jurisdição Nacional, ao abrigo dos estatutos e regulamentos do partido. Esta expulsão resultou da sua candidatura independente à Assembleia Municipal de Sintra, adversária do PSD, nas últimas eleições autárquicas de Setembro/2013.
A sanção imposta está prevista nos estatutos do partido e António Capucho conhecia-a bem, portanto quanto a isso nada a obstar, até porque todos os militantes, por mais ilustres que sejam, são iguais nos direitos e nos deveres perante o partido.
Num partido político é natural e até salutar discordar. É comum estar em desacordo com o rumo que está a ser seguido e até em determinadas situações divergir do líder do partido. Ser de um partido político não significa que se tenha que concordar literalmente com tudo. Todavia, em qualquer organização há direitos e deveres. Ninguém obriga ninguém a ter filiação partidária. Mas pede-se a quem é partidário de determinada força política um mínimo de coerência. Não se gosta, não se concorda com o caminho que está a ser trilhado pelo partido numa dada fase, desvincula-se. Não se pode é ser militante de um partido e apoiar uma lista diferente daquela que o partido decide apoiar, nem que se tenha a maior justificação o mundo. Da mesma forma que não posso celebrar contrato com uma instituição e trabalhar para outra, porque isso é desleal. Se o fizer sei que incorro numa sanção disciplinar.
António Capucho deveria ter suspendido a sua militância, antes de integrar uma outra candidatura. Saber romper a tempo, correr os riscos da renúncia, colocar as posições políticas e os interesses do país, acima das motivações pessoais é o que, na minha opinião, enobrece a política. E se António Capucho o tivesse feito evitava expor-se a todo este enxovalho.
Posto isto, penso que se o partido tomou esta posição relativamente a António Capucho, deverá tomá-la também, com todos os militantes que nas eleições autárquicas passadas estiveram nas mesmas circunstâncias.