Perante o falhanço das negociações entre PSD, CDS e PS, o futuro do governo está novamente nas mãos do Presidente da República. Cavaco Silva afirmou que, sem acordo, «encontrar-se-ão outras soluções no quadro do nosso sistema jurídico-constitucional» — «existirão sempre soluções para a atual crise política». Quais as soluções possíveis, a saber:
Convocar eleições antecipadas - o Presidente da República, com o argumento de que não está assegurado o «regular funcionamento das instituições» pode convocar eleições antecipadas, ouvidos os partidos e o Conselho de Estado. Seguir-se-á a dissolução da AR e a convocação de eleições num prazo de 2 meses. Ficaríamos, entretanto, com um «governo de gestão». Esta solução é pouco provável pelas razoes aduzidas pelo Presidente no seu discurso de 10 de Julho;
Formar um governo de iniciativa presidencial - hipótese já excluída pelo Presidente da República, que argumentou que a Constituição impede a formação de um Governo de iniciativa presidencial.
Manter o atual Governo - Cavaco Silva pode voltar a rejeitar a remodelação proposta por Passos e manter o Governo com a composição prévia ao episódio protagonizado por Paulo Portas;
Dar posse a um novo Governo (remodelado) - este executivo não tem de ser exatamente coincidente com a proposta apresentada por Passos Coelho. Será o cenario mais provável, sendo certo que, no Parlamento, Passos afirmou que, no fim das negociações, concretizaria a remodelação já proposta promovendo Portas a vice-primeiro-ministro.