
«Querem acabar com os caos das colocações? Eu digo como».Este frase tão assertiva e categórica é da autoria do jornalista José Manuel Fernandes (JMF) no Observador.
Quem lê este título pensa que JMF tem uma solução ‘mágica’ para acabar com a confusão instalada na colocação de professores.
O jornalista afirma no seu texto que o problema não está no ministro da Educação (aliás seu «amigo pessoal» - será que existem amigos impessoais?), mas num sistema centralizado de colocações, que na opinião do jornalista deve ser da estrita responsabilidade das escolas.
O problema é complexo e, sinceramente, também não sei qual poderá ser a melhor solução, até porque se fosse fácil já estaria há muito tempo resolvido.
A ideia de descentralização até podia ser uma boa opção, mas infelizmente tem tudo para correr mal e para se tornar num amontoado de problemas, fruto do um caciquismo enraizado com tendência para beneficiar uns em detrimento de outros, com base em critérios altamente duvidosos. A coisa corria sérios riscos de cair no oportunismo puro e simples, bem como de se transformar num ensino «à la carte» fundado na ideia de que cada escola é que conhece a realidade local. E depois como poderia o ministério controlar cada uma das práticas vigentes em cada escola? São várias questões que têm que ser acauteladas.
Por tudo isto não me parece que o processo de descentralização das colocações possa não ser a melhor opção.
A bem da ética, da moral e sobretudo da educação seria bom JMF não alimentar tantas certezas com a descentralização de colocação de professores até porque tal solução seria apenas uma forma de transferir o problema do ministério para a escola e de afastar a pressão do ministro e colocá-la no diretor de cada escola.