(fonte: Expresso)
A dois meses do fim do programa de assistência financeira e na semana em que o ISCTE organiza a 3ª edição do Fórum das Políticas Públicas, um estudo revela a avaliação dos portugueses relativamente à execução do programa de ajustamento, e ao impacto da austeridade nas suas vidas, e a expectativa em relação ao chamado período pós-troika.
Estas são algumas das conclusões mais relevantes do estudo da Eurosondagem e do Fórum das Políticas Públicas 2014, coordenado por Pedro Adão e Silva e Maria de Lurdes Rodrigues que visa avaliar a perceção dos portugueses sobre estes quase três anos de cumprimento do programa de assistência económico-financeira da troika.
Os portugueses não têm dúvidas e afirmam, perentoriamente, que o país está pior do que em 2011, e não acreditam que a austeridade vá abrandar com a saída da Troika.
A perceção de que o panorama económico será diferente na pós-troika é uma hipótese à qual os portugueses não aderem facilmente. Apenas 6,5% dos inquiridos acredita que a austeridade vai diminuir com a saída da Troika. Para a esmagadora maioria, a austeridade vai continuar (41% das respostas), e segundo outros vai mesmo vai mesmo aumentar (42%).
Relativamente à questão que marcou o último congresso do PSD: «A vida das pessoas não está melhor mas o país está muito melhor», a opinião de 67,6% dos inquiridos é que Portugal piorou nos últimos 3 anos, e apenas 19,8% acha que o país está melhor. Transpondo essa mesma questão para a vida de cada um, a avaliação é ainda mais negativa. 76,8% dos entrevistados considera que a sua vida e dos seus familiares está pior, apenas 11,9% assume que vive melhor agora do que antes do resgate.
A execução do programa de ajustamento também mereceu uma avaliação negativa. Assim, 70,2% dos inquiridos avaliam de uma forma negativa, ou muito negativa a execução do programa. Apenas 22% consideram positivo a execução do programa. Quanto à imposição das medidas aplicadas pelo governo nos últimos 3 anos, a maioria dos inquiridos (53,6%) afirma que as medidas foram forçadas pela Troika, enquanto 36,1% diz que a austeridade foi da exclusiva responsabilidade do governo.
Terminado o programa Portugal deve optar por um programa cautelar. Esta é a opinião de 48,8% dos portugueses que responderam à sondagem contra 32,6% que julgam ser melhor para o país ter uma "saída limpa" à semelhança do que acontecedeu com a Irlanda.