Pedro Passos Coelho defendeu, na semana passada, que «Portugal é, de longe, o país dentro da União Europeia que, em percentagem do seu produto, maior esforço fez de apoio e solidariedade em relação à Grécia».
Não foi. Portugal está, na verdade, entre os países da zona euro que concederam, até agora, menor volume de empréstimos à Grécia, quer em percentagem do PIB, quer tendo em conta dimensão da sua população como se vê neste gráfico.
A razão para este facto prende-se com a entrada da troika em Portugal: a partir do momento em que o país começou a ser ajudado, ficou naturalmente dispensado dos custos associados à ajuda financeira à Grécia.
A confusão instalada à volta destes números, e que parece ter influenciado o primeiro-ministro, deve-se a dados publicados por um economista da Bloomberg sobre o grau de exposição de cada país da zona euro à dívida grega.
Portugal tem uma exposição total à divida grega de 2.676 milhões de euros (1.106 milhões em empréstimos bilaterais e 1.574 milhões relacionados com o BCE), representando 1,5% do PIB. Apenas quatro países da zona euro estão abaixo de Portugal nesta percentagem: Luxemburgo, Chipre, Letónia e Irlanda.
No entanto, Portugal está muito longe das percentagens de países como a Eslovénia (3,4%), Espanha e Itália (3%), França (2,5%) e Alemanha (2,4%).
Seria bom que o, primeiro-ministro se documentasse melhor jun to dos seus assessores, antes de proferir quaisquer declarações que o comprometam, sob pena de ser imediatamente desmentido e passar a imagem de manipulador e aldrabão.