
É vergonhoso o aproveitamento político que os partidos da Direita e alguma comunicação social estão a fazer com as vítimas do incêndio de Pedrogão.
A grande preocupação incide agora sobre a contabilidade dos mortos. Sobre a divulgação das listas com os nomes. É aberrante e doentia a obsessão com a devassa até das mortes. Parece que vale tudo. Nada nem ninguém merece respeito. Nem a memória dos mortos nem a as suas famílias.
Mas porventura existirá alguém interessado em esconder mortos? Por que o fariam e com que intenção? Será credível que as autoridades governamentais, depois de reconhecerem com base nas informações recolhidas e que lhe foram transmitidas, um número tão extraordinário como 64 vítimas, teriam interesse em esconder mais mortes, se comprovadas?
Interessante foi também o ultimato feito pelo PSD ao governo, através de Hugo Soares, para a divulgação da lista de pessoas que faleceram no incêndio de Pedrógão Grande com a ameaça de um pedido de urgência de uma reunião de líderes na AR.
Que dizer em relação a mais esta trapalhada de um partido (e do seu novo líder parlamentar), que deveria ter sentido de Estado e demonstrar que como maior partido da oposição é responsável.
Mas mais uma vez se veio a verificar o oportunismo político deste PSD que até das vítimas do infausto acontecimento se serviu, para tentar tirar dividendos políticos.
Só a silly season e a aproximação do período eleitoral justificam este desvario. Bem sei que o Diabo não dá sinais, mas socorrerem-se do inferno dos fogos também não parece uma boa estratégia.