A Organização Internacional do Trabalho (OIT) divulgou um relatório sobre Portugal, cujo título é: «Enfrentar a crise do emprego em Portugal», onde analisa o impacto da crise económica global no mercado de trabalho em Portugal. Para a OIT, «a política orçamental tem sido orientada para uma rápida redução dos défices, os quais haviam atingido proporções alarmantes. As medidas de restruturação do setor público contribuíram diretamente para o desemprego. Os cortes nos salários e nas prestações sociais, combinados com certos aumentos fiscais, desgastaram os rendimentos das famílias e a procura interna». «O mercado de trabalho não registou qualquer melhoria desde o lançamento do programa de assistência financeira acordado com a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional, em 2011. De facto, a tendência de desemprego crescente intensificou-se nos últimos dois anos», embora atenuado nos últimos meses, refere o documento daquela organização.
Portugal poderá criar 108 mil empregos com a ajuda da Europa té 2015. O efeito combinado das duas opções políticas – a redução das taxas de juro e o reforço das políticas de mercado de trabalho – «seria uma diminuição do rácio da dívida pública/PIB de 5,9 pontos percentuais até 2015». Também deveria ser ponderado o aumento do salário mínimo.
De acordo com esta organização, o volume do investimento produtivo em Portugal foi reduzido em mais de um terço desde 2008, tendo-se verificado grande parte deste declínio nos dois últimos anos, provocando uma descida nos ganhos de produtividade. Afirma ainda que Portugal teria vantagens em criar medidas para facilitassem a transição de pequenas para médias empresas. Seria uma forma de «abrir novos mercados de exportação e de beneficiar países emergentes», salienta. Seria vantajoso aproveitar «o dinamismo de outros países de língua portuguesa e a presença de uma ampla diáspora portuguesa em certos países», para atingir este objetivo.
Para a OIT, a «situação crítica» que se vive no país do país espelha uma combinação de fatores macroeconómicos e de fatores estruturais. O relatório sugere que as mudanças de políticas que vierem a ser operadas terão de ter em conta a estagnação de longo prazo com que Portugal já se defrontava antes da crise. Entre 2000 e 2008, a taxa de desemprego registou uma suave tendência de subida. Os rendimentos médios reais da população portuguesa estagnaram, ao contrário do sucedido na maioria dos países da UE", concluiu o relatório. Seria importante que os nossos governantes lessem, com atenção, o relatório e acatassem estas recomendações.
(fonte: JN)