NARRATIVA DIÁRIA

O PSD e as eleições autáquicas

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Depois da recusa de Pedro Santana Lopes, o PSD continua à procura de candidato à Câmara de Lisboa para as próximas eleições autárquicas.


 


Nesta altura, é esta a maior dor de cabeça que Passos Coelho tem para resolver. Há nomes como José Eduardo Martins e Laurinda Alves a serem testados em sondagens internas, mas que não convencem os dirigentes e por isso não há ainda qualquer decisão sobre o candidato.


 


Entretanto começam a surgir vozes que defendem que Passos Coelho é a escolha certa para Lisboa. Uma dessas vozes foi do vice-presidente do PSD-Lisboa, Rodrigo Gonçalves, que reforçou a ideia que é preciso apresentar «o melhor dos melhores» à Câmara de Lisboa, defendendo por isso a aposta no ex-primeiro-ministro.


 


Há no entanto opiniões contrárias dentro do partido e que são públicas, com militantes que apontam para uma coligação com o CDS e ainda outros mais virados para que a escolha deva recair num independente de prestígio, apoiado pelo PSD.


 


Responsáveis do PSD contactados dizem que a resposta ao repto lançado por Rodrigo Gonçalves ao líder deve ser encontrada nas palavras de Carlos Carreiras: Pedro Passo Coelho «é candidato a primeiro-ministro e não é candidato a presidente da Câmara de Lisboa».


 


Entretanto vários jornais de referência dão como certo o apoio do PSD a Assunção Cristas. É inaceitável que o maior partido do parlamento não tenha um candidato credível para apresentar, tendo que ir a reboque do CDS. O facto de apoiar Cristas já constitui em si mesmo uma derrota. 


 


Uma coisa é certa: está criada a crispação entre distrital e concelhia. A distrital inclina-se para o apoio a Assunção Cristas, a concelhia nem quer ouvir falar nisso. Pelo meio, resta uma indefinição cada vez mais criticada dentro do partido e que só deverá ser desfeita quando Passos anunciar o candidato a Lisboa que terá o apoio do PSD.


 


Esta indefinição que paira em torno dos candidatos para as principais autarquias é o pano de fundo que está a servir a Rui Rio para tentar ganhar protagonismo, mas na sombra há outros  candidatos que vão marcando terreno, como Paulo Rangel, José Pedro Aguiar-Branco e Luís Montenegro.


 


O facto de o Congresso de 2018 ainda estar longe, de Passos Coelho ter ganhado as eleições legislativas e de não dar sinais de querer abandonar a liderança faz com que haja particular cautela na forma como dirigentes e militantes abordem a questão da liderança.


 


Há ainda muitos que acham que Passos Coelho só poderá cair caso perca as próximas legislativas. Mas o certo é que a desorientação nas autárquicas está a deixar o PSD nervoso, e uma derrota no próximo ato eleitoral poderá aumentar a pressão que já se faz sentir em torno da liderança.

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