NARRATIVA DIÁRIA

O projeto político do BE acabou

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Catarina Martins e João Semedo partilhavam a liderança do partido desde 2012, altura em que Francisco Louçã abandonou o Bloco de Esquerda. Mas os tempos não têm corrido de feição, com várias figuras de destaque a abandonarem o partido, como Rui Tavares (Livre), Ana Drago e Daniel Oliveira (Fórum Manifesto) e a hecatombe do último ato eleitoral.


Já aqui havia falado sobre o Bloco de Esquerda e já na altura achei que esta liderança bicéfala colocaria o Bloco num beco sem saída.


Com a saída de João Semedo, que não vai integrar a Comissão Política, mantendo apenas o cargo de deputado e de dirigente eleito para a Mesa Nacional, Catarina Martins passa a porta-voz de uma Comissão Permanente – assim se designa a nova equipa dirigente – composta por Pedro Filipe Soares, Pedro Soares, Joana Mortágua, Adelino Fortunato, Nuno Moniz e Catarina Martins. A lista representa todas as moções e sensibilidades votadas na última convenção. Ou seja passaram de uma bicefalia para uma policefalia. Se duas cabeças a governar era complicado que dizer de seis!


Esta foi a solução encontrada para evitar a cisão do Bloco, depois da divisão na convenção nacional do último fim de semana. Mas, para todos os efeitos, o projeto político do Bloco de Esquerda acabou. O partido ainda existe, tem representação parlamentar, não desaparecerá de um dia para o outro, mas este é provavelmente o princípio do fim.


E isto não é certamente uma má notícia para António Costa.  

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