Num país onde a decência cívica fosse valorizada e os valores éticos preservados, nenhum jornalista, digno desse nome, pelo menos dos jornais de referência, permitiria dar voz a Manuel Maria Carrilho para se pronunciar sobre cenas da sua vida conjugal. Carrilho está a entrar na vulgaridade mais mesquinha que a sua existência podia demonstrar. Enquanto homem ligado ao poder político (estamos a falar de um homem que foi ministro da Cultura deste país, deputado da nação e embaixador de Portugal junto da UNESCO) deveria ser uma referência cívica, mas a sua conduta não é nesse sentido. Aliás, Carrilho sempre foi um político exímio em criar factos políticos e de gerar problemas ao seu partido. Aparentemente preocupa-se única e exclusivamente com ele próprio. Nas eleições para a Câmara de Lisboa conseguiu perder uma eleição que parecia ganha à partida. Na passagem pela UNESCO saiu, disparando em todas as direções, criticando mesmo quem o indicou para o cargo. Relativamente à sua vida conjugal, por mais razões que lhe assistam, e eu admito que as tenha, não me parece ajuizado pôr a nu, na praça pública, a vida pessoal da mulher com quem escolheu partilhar um casamento ao longo de 12 anos e mãe dos seus dois filhos. Manuel Maria Carrilho é um académico com um acervo de obras publicadas. Todavia, quem se comporta deste modo, mostrando ser um indivíduo vil, indecoroso, sem um pingo de identidade moral não é digno de respeito. Ninguém merece um político destes, muito menos um marido!