Luaty Beirão, de 33 anos, é um ativista e músico luso angolano. É um dos pioneiros do movimento antigovernamental apartidário angolano. Cedo saiu de Angola para estudar na Europa, primeiro em Inglaterra, onde fez engenharia eletrotécnica, e depois em França, onde estudou economia.
O pai foi o fundador e primeiro presidente da Fundação Eduardo dos Santos (FESA), entre outras funções públicas, sendo descrito por várias fontes como tendo sido sempre muito próximo de José Eduardo dos Santos. O rapper mobilizou o país, a partir de um espetáculo de música, para a primeira manifestação de março de 2011, que exigia a demissão do presidente angolano.
O luso-angolano (filho de João Beirão, nascido no Huambo e mãe de Luanda, filha de descendentes de aveirenses) faz parte de um grupo de 17 jovens - dois dos quais estão em liberdade provisória - acusados formalmente desde setembro passado de prepararem uma revolta e um atentado contra o Presidente angolano, sem que haja, ainda, uma decisão do tribunal de Luanda sobre a prorrogação da prisão preventiva. Na sequência desta decisão Luaty Beirão entrou em greve de fome, que mantém há 29 dias.
O ativista justifica a greve de fome, que encetou, por violação dos seus direitos constitucionais que considera estarem a ser desrespeitados, exigindo - como prevê a lei angolana para o crime em causa - aguardar julgamento em liberdade.
O músico está em risco de vida, tendo atingido um nível de debilidade física grave que obrigou já as autoridades angolanas a transferi-lo para um hospital prisão. Contudo, as autoridades angolanas negam a fragilidade da saúde de Luaty e rejeitam a ideia de que está em risco de vida, contrariando a versão da família do cantor.
Os pedidos para a libertação de Luaty sucedem-se e têm-se estendido ao exterior de Angola e povoado as redes sociais. No Facebook, há mesmo uma página que vai contabilizando os dias em greve de fome e relatando o seu estado de saúde.
Foi entretanto criada uma outra página para dar visibilidade ao caso e exigir a libertação de Luaty Beirão. Na página liberdade-ja vários músicos pedem a libertação imediata do ativista e dos presos políticos angolanos. Carlão, Legendary Tigerman, D'Alva, Pedro Abrunhosa, Capicua e Marcia são alguns desses cantores.
A Amnistia Internacional criou também uma petição, exigindo que que a integridade física dos detidos seja respeitada.