Morreu José Mariano Gago hoje, em Lisboa, aos 66 anos, vítima de cancro. Foi ministro da Ciência e da Tecnologia, de 1995 a 2002, do XII e XIII Governos Constitucionais, liderados por António Guterres, e ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, em governos do Partido Socialista, liderados por José Sócrates, de 2005 a 2011.
Licenciado em Engenharia Eletrotécnica, pelo Instituto Superior Técnico e doutorado em Física pela Faculdade de Ciências da Universidade de Paris, foi bolseiro do Instituto de Alta Cultura, no Laboratório de Física Nuclear e de Altas Tecnologias da École Polytechnique, de 1971 a 1976, e da Organização Europeia de Pesquisa Nuclear, de 1976 a 1978. Mariano Gago foi também presidente da Junta Nacional de Investigação Científica e Tecnológica, entre 1986 e 1989, e dirigiu o Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas, em Lisboa.
O ex-ministro foi um dos responsáveis pela criação da Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica, gestora da rede de Centros Ciência Viva e publicou vários trabalhos, entre os quais "Homens e Ofícios" (1978, 1982) e "Manifesto para a Ciência em Portugal" (1990).
Enquanto ministro, Mariano Gago determinou o encerramento da Universidade Moderna por «falta de viabilidade económico-financeira e grave degradação institucional» e da Universidade Independente, invocando vazio de poder na direção, instabilidade, falta de qualificação dos professores e ausência de rigor na apreciação das candidaturas.
Como ministro privilegiou ainda protocolos com grandes instituições norte-americanas para programas de investigação avançada, nomeadamente com o Massachussets Institute Tecnology (MIT), Carnegie Mellon University (CMU) e Universidade do Texas em Austin.
Foi, sem sombra de dúvidas, um dos melhores ministros que Portugal teve. Discreto, low profile, mas de enorme eficiência. Com Mariano Gago à frente da pasta da Ciência Tecnologia a inovação científica portuguesa ganhou uma nova dinâmica e a investigação científica foi dignificada.
Como bem referiu Carlos Fiolhais «Há uma ciência antes de Mariano Gago, que era muito pequena, e uma ciência depois de Mariano Gago, que é muito maior. Ele pôs a ciência no país. Há um Portugal antes e um Portugal depois»
Pela marca profunda deixada na Ciência em Portugal, o seu desaparecimento constitui uma perda irreparável para a Ciência e Ensino Superior.