Depois de ter sido decretada como medida de coação ao antigo primeiro-ministro a prisão preventiva por alegadamente estar envolvido em crimes de corrupção, fraude fiscal qualificada e branqueamento de capitais e de o atual ter falhado o pagamento das contribuições à Segurança Social a que estava legalmente obrigado, entre 1999 e 2004, período em que foi trabalhador independente, ficamos a conhecer notícias vindas a público, embora com muito menor destaque, do líder da oposição, relativas a alegados incumprimentos, no que respeita à contribuição autárquica e sisa, já desmentidas aliás pelo próprio. Tais factos são, na minha opinião, um sinal evidente da miséria moral a que chegou o regime.
A suspeição mina a credibilidade não apenas das pessoas em concreto, mas do próprio sistema democrático. A única resposta é a transparência. Assim, defendo que o passado dos nossos políticos tem de passar a ser seriamente vasculhado, antes das eleições. Quem não tiver um percurso de integridade, honestidade e transparência deve ser impedido de se candidatar a um cargo político. Esse escrutínio deveria ser feito pelos próprios partidos porque cada ‘escândalo’ também desgasta e custa muitos votos às estruturas partidárias.
O escrutínio não é só um direito que nos assiste enquanto cidadãos, é um exercício essencial para proteger aqueles que exececem cargos políticos, bem como o próprio sistema democrático.