Cavaco Silva em entrevista ao Expresso fez saber que, por sua vontade, as eleições legislativas terão lugar na data prevista, entre 14 de setembro e 14 de outubro e «ponto final» e só uma grave crise política poderia levá-lo a antecipar o calendário.
O antigo Presidente da República Ramalho Eanes em entrevista à RTP questionado sobre este assunto disse discordar desta opinião, defendendo que «dada a situação» e a «necessidade de encontrar compromissos», seria «preferível» a antecipação das eleições legislativas.
«Por princípio, não comento decisões nem deste Presidente nem dos outros. O que digo é que, entendo que, dada a situação e a necessidade de encontrar compromissos, de estabelecer pactos sobre aquilo que é consensual e sobre aquilo que não é consensual mas é indispensável, haveria talvez interesse em apertar o tempo e termos um tempo político novo, em que os partidos se tenham que confrontar com a situação do país e os portugueses, que hoje são muito diferentes”, afirmou Eanes.
O antigo chefe de Estado realça ainda, para sustentar a sua opinião, que «a relação entre o sistema político e os portugueses hoje mudou inteiramente».
Na entrevista a Fátima Campos Ferreira, o antigo Presidente da República acrescentou ainda que os partidos políticos não têm cumprido o seu dever de representar os portugueses.
Questionado sobre o caso de José Sócrates, o General Eanes advertiu para a necessidade de não fazer julgamentos na praça pública, condenando as fugas de informação e pedindo que se aguarde pelo tempo da Justiça.
Ainda bem que ainda há políticos que demonstram clarividência e bom senso!