
O Presidente da República no discurso oficial das comemorações do 5 de Outubro voltou às suas referências preferidas: a política de «vistas curtas» e o compromisso entre os partidos do chamado arco da governação, fazendo um discurso decalcado, em parte, daquele que havia feito aquando do 25 de Abril, mas acrescentando agora uma nuance: o sistema partidário nacional corre o risco de implosão.
Cavaco quer entendimentos alargados. Alega que sem entendimentos a governabilidade não está garantida. Ora, o que Cavaco pretende é uma espécie de «paz podre» entre os partidos. Mas como é que o chefe do Estado tem o desplante de apelar ao consenso se ele próprio tem sido um fator de divisão e não um agregador de consensos da sociedade portuguesa ao dar respaldo político a este governo.
Cavaco falou em populismo e em políticos de vistas curtas que só vivem da política, esqueceu-se foi de mencionar os anos do «cavaquismo» e as «malabarices» dos seus antigos ministros e secretários de estado como como Dias Loureiro, Oliveira e Costa, Duarte Lima e quejandos.
Com este discurso, o Presidente da Republica mais impopular da história da democracia, colocou-se fora do sistema político como se não estivesse lá há décadas. Usou o compromisso ao mesmo tempo que escondeu as suas responsabilidades no estado a que chegou o país e a democracia.
No discurso do dia 5 de Outubro, que incompreensivelmente deixou de ser feriado, não se viu, por isso, nada de novo. Pautou-se pela vacuidade, evidenciando um Presidente incapaz de reconhecer o seu papel na história da democracia portuguesa e assumir parte das responsabilidades que lhe cabem.