Ontem, os cipriotas foram confrontados com a decisão inédita do Eurogrupo de taxar os depósitos bancários em troca do resgate financeiro, necessário para recapitalizar os bancos cipriotas, afetados pela restruturação da dívida soberana na Grécia. Os países da zona euro obrigaram Chipre a estabelecer um imposto excecional de 6,75% sobre todos os depósitos com valores inferiores a 100 mil euros e de 9,9% para os depósitos que excedessem aquele valor, arrecadando ainda os juros pagos por estas aplicações (40% destes depósitos são de oligarcas russos). Os activos bancários são oito vezes maiores que o PIB do país, onde estão sedeadas muitas sociedades 'off-shore', que têm beneficiado de um baixo nível de impostos.
É verdade que o sistema bancário de Chipre é um sistema pouco recomendável (procede à lavagem de dinheiro de negócios escuros e coloca-o no sistema financeiro). Sabendo isto, o que faz a UE? Tomou medidas para combater a corrupção? Não! Criou um imposto sobre os depósitos! Esta medida recai, sobretudo, sobre a população cipriota e penaliza mais os pequenos aforradores e as empresas. Não admira que os cipriotas tenham corrido às caixas multibanco a fim de tentar levantar o que podiam.
O governo de Chipre diz que o páis não tem escolha possível. Ou aceita este confisco sobre os depósitos em troca do resgate ou, então, vai falência.
Esta medida do Eurogrupo, para além de um crime, resulta numa falta de confiança no sistema bancário europeu e, consequentemente, na U.E. Ninguém mais estará a salvo. Ontem foi em Chipre. Amanhã poderá ser na Irlanda, em Espanha ou em Portugal. Uma vergonha!