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A crise vivida no Grupo Espírito Santo poderá ter repercussões nas eleições presidenciais e comprometer candidatura de Marcelo Rebelo Sousa a Belém.
Quem o afirma é Miguel Pais do Amaral em entrevista ao Dinheiro Vivo, defendendo que o putativo candidato tem fortes ligações ao BES e como tal as suas ambições presidenciais podem sair afetadas da crise vivida no GES.
Segundo Pais do Amaral, a companheira de Marcelo, Rita Amaral Cabral, é administradora no grupo BES e o seu filho é funcionário da PT, acrescentando que Marcelo e Rita eram os melhores amigos do casal Salgado. Viajavam, passavam férias juntos, avançando que «obviamente que uma pessoa que é a melhor amiga de alguém, se esse alguém não sair bem, não tem quaisquer condições para ser candidato presidencial, nem para alimentar essa candidatura».
Para sustentar a sua tese o empresário recorre ao caso Madoff nos EUA em que, quando este foi preso, os «políticos amigos mudaram de carreira, não tinham qualquer hipótese de continuar a exercer a política, porque eram amigos de alguém que tinha feito coisas que não devia”. «Diz-me quem são os teus amigos, dir-te-ei quem és”, disse Pais do Amaral.
Pais do Amaral alerta igualmente que os impactos políticos também podem fazer sentir-se nas legislativas, porquanto «alguns ministros que eram muito próximos do presidente da comissão executiva do BES e essa proximidade poderão ser negativa».
Já há cerca de uma semana, João Rendeiro, o banqueiro acusado de burla qualificada aos antigos clientes do BPP, havia escrito que Marcelo Rebelo de Sousa «é um dos danos colaterais da pesada queda de Ricardo Salgado». Depois, comentando a entrevista de Santana Lopes ao semanário Expresso, em que o antigo primeiro-ministro dá a entender poder vir a candidatar-se às eleições presidenciais, afirmou que Santana Lopes «é um raro animal político» e intuiu imediatamente que «as fortes relações pessoais de Marcelo com o BES e Ricardo Salgado são mortais para qualquer hipótese de candidatura presidencial».
Rendeiro recorre a uma jargão automobilístico, para concluir que Marcelo Rebelo de Sousa «ficou sem pneus». «Resta-lhe a consolação de poder continuar a ter duas opiniões sobre tudo e o seu contrário – incluindo as candidaturas presidenciais de esquerda e direita».
E assim se queima um candidato às presidenciais!