A Cimeira das Américas que teve lugar na Cidade do Panamá ficou marcada por um novo relacionamento entre o Presidente Barack Obama e o seu homólogo cubano Raúl Castro, pondo de lado o paradigma do passado e reescrevendo um novo capítulo na História dos dois países, interrompido há cinco décadas.
Não foi a primeira vez que os dois líderes se cumprimentaram, já o haviam feito, de forma fugaz, em Pretória, no funeral de Nelson Mandela. Recorde-se que os dois países que cortaram relações em 1958, quando Cuba passou a ser liderada por Fidel Castro.
Mas como insistiu Raúl Castro, a questão mais premente – e que precisa de ser resolvida a curto prazo, prende-se com o embargo comercial imposto em 1962, uma decisão que compete ao Congresso dos EUA levantar. Mas o dirigente cubano fez questão de afirmar que Obama «não tem responsabilidade nenhuma pelas políticas da Guerra Fria ou pelo bloqueio» comprometendo os presidentes que o antecederam.
Por sua vez, o Presidente Obama sublinhou que não está interessado em lutar em guerras que começaram antes de ter nascido. Considerou que Cuba não constitui mais uma ameaça para os EUA e assegurou ainda que esta aproximação é efetivada pela maioria dos cidadãos dos dois países o que permitirá o aumento do comércio bilateral e das viagens, num processo que trará enormes benefícios ao povo cubano. Futuramente os Estados Unidos prometem não intervir nos assuntos dos países latino-americanos.
À margem dos discursos públicos do conclave das nações americanas, os dois líderes encontraram-se em privado e terão acordado sobre o restabelecimento da normalidade nas relações diplomáticas.