O PSD prepara-se para iniciar um procedimento de «caça às bruxas» aos militantes que concorreram em outras listas ou que deram apoio explícito a candidaturas adversárias do partido nas eleições autárquicas. Rui Rio, António Capucho, Marco Almeida e Guilherme Aguiar são alguns dos militantes que poderão ser obrigados a abandonar o partido ou sofrer outro tipo de sanções, de acordo com os estatutos do PSD. Um dos mais acérrimos defensores desta atitude é Ribau Esteves que ganhou em Aveiro, naquele processo de transumância de dinossauros, mas está inconsolável com a humilhante derrota do seu amigo, Filipe Menezes, no Porto e aponta as facas a Rui Rio, que o considera o verdadeiro responsável pelo desaire. Ontem, o PSD teve a sua reunião do Conselho Nacional e Aguiar Branco pediu a cabeça de Rui Rio, levando Paulo Rangel a acusá-lo de ter uma visão "soviética" do partido. Os apupos ouviram-se na sala e sucederam-se à medida que o eurodeputado falava. Rangel defendeu que «não se pode tirar a ninguém o direito de não apoiar um candidato e que, tendo ele defendido a ilegalidade de candidaturas de presidentes de câmara com mais de três mandatos autárquicos, nunca poderia apoiar Menezes». Paula Teixeira da Cruz desdramatizou a situação e sustentou que não deve haver um processo de "caça às bruxas". Na primeira fila, segundo relatos feitos pelo PÚBLICO, Passos Coelho afirmou: «aqui não há bruxas» e a ministra da justiça respondia «há bruxas, há». O clima foi de crispação o que levou Passos Coelho a pedir aos militantes para refrearem os ânimos.