
Joe Berardo já foi considerado um dos homens mais ricos de Portugal. Colecionador de arte, tendo inclusivamente trazido para o país a mais importante coleção de Arte Moderna alguma vez vista em Portugal, no Museu a que deu o seu nome, sediado no CCB, quis um dia ser dono do BCP. Para tal, conseguiu a proeza de convencer a Caixa Geral de Depósitos a emprestar-lhe o dinheiro, cuja garantia dada eram as próprias ações, as quais depois desvalorizaram, praticamente na totalidade, gerando grandes perdas para o banco público. Os empréstimos concedidos a Joe Berardo serviram para financiar a compra de ações do BCP.
Hoje, aos 75 anos, o Comendador Berardo, como é conhecido, está metido numa grande embrulhada já que deve quase mil milhões de euros aos três maiores bancos portugueses. BCP, CGD e Novo Banco, sendo que estas entidades bancárias estão a sofrer danos por terem concedido créditos ao empresário sem acautelar as devidas garantias. Os bancos já propuseram ao Comendador executar a Coleção Berardo a par de um perdão de grande parte da dívida do empresário, mas Berardo recusou.
Tendo como património direto registado apenas uma garagem no Funchal em seu nome e estando a coleção Berardo aparentemente envolvida num imbróglio jurídico, sobra à banca apenas a Quinta da Bacalhôa para executar. Uma gota de água para pagar uma dívida que ascende a quase 1000 milhões de euros.
Ainda hoje o Correio da Manhã dá conta que Joe Berardo escapou, mais uma vez, à penhora da CGD sobre a casa de luxo onde habita, na zona de Lisboa. Ao tentar avançar com a penhora do imóvel para executar a dívida do grupo do empresário, cujo montante rondará os 300 milhões de euros, a CGD verificou que o imóvel não está em seu nome, mas da empresa da qual Berardo é o presidente do conselho de administração, mas que não surge como acionista direto.
O mundo é dos espertos e Joe Berardo tem demostrado por várias vezes que esperteza não lhe falta. Apanhem-no se puderem!