Vem aí o Orçamento do Estado para 2015 que será o último desta legislatura. O executivo terá de reduzir o défice de 4% para 2,5% e corrigir o défice estrutural em, pelo menos 0,5%, do PIB. Ao mesmo tempo quer dar sinais de que a o estado de emergência acabou.
O PSD garante que o Orçamento não será eleitoralista. Já para o CDS, o mais importante é referir que este é o «primeiro orçamento no período pós-troika».
Os dois partidos da maioria estão a enfrentar um novo momento de tensão com a negociação do Orçamento, com o CDS a fazer pressão para uma descida dos impostos.
As sondagens realizadas esta semana, sem margem para dúvidas, dão uma claríssima vitória de António Costa nas legislativas.
No CDS e no PSD, os resultados foram vistos como expectáveis, dado o estado de graça de Costa, mas também com natural apreensão e fizeram soar as campainhas de que chegou o momento certo de começarem as negociações com vista ao acordo de pré-coligação eleitoral. Mas o PSD só quer estabelecer esse acordo em 2015. Marques Mendes já veio dizer que quanto mais tarde for feito este acordo menos coeso estará o Governo.
Tanto no PSD, como no CDS há quem defenda que os partidos devem ir separados às eleições de 2015, mas a maioria tende para uma coligação. Na moção estratégica que levou ao congresso, Passos admitia uma coligação pré-eleitoral com o CDS, mas o partido liderado por Portas, na altura, fez-se caro, remetendo decisões para depois do Orçamento. Ou seja, o líder do CDS queria ter um trunfo na mão para negociar a descida de impostos.
Com a descida da sobretaxa do IRS e do IRC que já percebemos que irá acontecer, com a reposição das pensões e de parte dos salários do Estado, o Governo está prestes a dar um último argumento ao eleitorado que ainda conserva, para o demover de entregar a António Costa uma vitória nas legislativas de 2015.
Os social-democratas estão convencidos que este orçamento poderá mostrar aos portugueses uma alternativa, querendo dar a entender que os tempos de crise já lá vão. Mas, não, infelizmente esse tempo ainda não acabou. E há riscos sérios de que não acabe tão depressa.
Acresce que as pessoas não são parvas, percebem bem as manobras eleitoralistas e têm bem presentes o que foram estes três anos de austeridade que afundaram a economia, mataram as instituições e desgraçaram a vida a milhares de pessoas. Já ninguém está disposto a passar cheques em branco a nenhum partido.