O filme a “Gaiola Dourada” foi uma boa surpresa. Trata-se de um filme simples, despretensioso, com uma trama e enredo habituais do cinema mainstream. Os clichés são mais do que muitos, mas utilizados de forma perspicaz e inteligente, apelando à tradição portuguesa espalhada pelo mundo onde não faltam o bacalhau, o fado, o futebol e os pastéis de nata.
Com alguns estereótipos e alguns exageros dos personagens envolvidos, por forma a criar um determinado retrato social, preenchido ora por comédia ora por drama, o filme reproduz com rigor a comunidade emigrante portuguesa em França, retratando os seus sentimentos, valores, imaginário e relações que criaram no país de acolhimento.
É notório que o realizador, Ruben Alves, conhece muito bem a realidade que descreve ou não fosse ele próprio luso-descendente em França – a mãe porteira e o pai operário da construção civil - à semelhança dos protagonistas. A direção de atores alias é um dos pontos fortes da pelicula e ajuda a dar credibilidade ao argumento. A dinâmica do elenco promove a espontaneidade dos diálogos, coisa pouco comum em filmes nacionais. O elenco é liderado por fortes desempenhos de Rita Blanco – magnífica! - e Joaquim de Almeida que se assumem, principalmente a primeira, como dois grandes atores em qualquer parte do mundo.
Assim, para quem quiser ter um momento light e de boa disposição, aconselho vivamente a que vá ver A Gaiola Dourada, que certamente não se irá arrepender. De acordo com dados disponibilizados na página da internet do Instituto do Cinema e Audiovisual (ICA), foi filme mais visto este ano nas salas portuguesas, sendo um dos nomeados para os Prémios de Cinema Europeu.