As boas relações entre Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa estão a deixar a direita aziada. Mesmo os portugueses estranham, porque não estavam habituados a verem o Presidente da República e o primeiro-ministro exibirem uma cumplicidade que vai além da relação institucional entre órgãos de soberania.
Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa conhecem-se desde os tempos da faculdade: o primeiro-ministro foi aluno do atual presidente da República na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. E nunca esconderam a simpatia que têm um pelo outro.
O PSD apoiou Marcelo à Presidência da República por ser um candidato ganhador, mas também na convicção de repor o poder que havia perdido com a solução governativa encontrada pelo Parlamento e liderada por Costa. Contudo, isso não aconteceu. Pelo contrário, Marcelo tem vindo a afastar-se de Passos Coelho e a aproximar-se cada vez mais de Costa.
O estado de graça que Marcelo usufrui junto dos portugueses favorece o governo de António Costa. Não apenas porque a omnipresença do Presidente ocupa o espaço mediático, mas também porque o facto de aparecerem muitas vezes juntos em vários eventos e visitas no estrangeiro, enfraquece as críticas da direita e irrita sobremaneira o PSD.
António Costa como político hábil que é, percebeu há muito, que esta prática protagonizada por Marcelo, de vestir a pele de comentador e falar sobre atualidade política, assim que um jornalista lhe põe um microfone à frente, que à primeira vista poderia ser intrusiva da ação governativa, poder-lhe-ia ser favorável, sendo uma mais-valia no clima de crispação política e contribui em muito para a solidez e estabilidade do governo.
Ao contrário, a gritaria dos partidos da direita e a inconsistência e incoerência do seu discurso, tem o efeito contrário, isto é, une ainda mais a esquerda ao Presidente.
Neste perspetiva, Marcelo tem sido o verdadeiro guarda-chuva de Costa, que tem tido no Presidente da República um parceiro estratégico importante para a saúde política do governo e da geringonça. A imagem das duas mais altas figuras de Estado debaixo do mesmo guarda-chuva, em Paris, no dia de Portugal é a metáfora simbólica desta coabitação quase perfeita, muito embora considere que quando Marcelo achar que é oportuno roer a corda ao governo, o fará sem o mínimo problema.